terça-feira, 25 de novembro de 2008

A preferência por certas virtudes

Virtude:
1 Hábito de praticar o bem, o que é justo(?); excelência moral; probidade, retidão. 2 Boa qualidade moral. 3 O conjunto de todas as boas qualidades morais.
http://michaelis.uol.com.br/

Antes de redigir o objetivo desse post, falarei sobre o conceito de virtude.

Lendo e interpretando de um único ponto de vista, que na maioria das vezes é o ponto de vista do nosso ambiente, ser virtuoso é de grande valia.Porém, a virtuosidade, assim como moral, justiça e ética, não são conceitos universais, mas sim regionais. O que é virtuoso, ético, justo e moral no Brasil, pode ser o oposto na Índia. Esse exemplo é extremo, e com certeza vemos diferenças dentro de nossa própria casa.Sendo assim, quando me referir à virtude, visualizem o próprio ambiente.

A preferência por certas virtudesNão atribuímos valor especial à posse de uma determinada virtude, até que percebemos a sua ausência total em nosso adversário.
F.W Nietzsche em

Humano, demasiado humano: um livro para espíritos livres.



É assustador perceber o empirismo dessa citação. Todos que lêem isso, com certeza encontrarão algum momento da vida em que agiram dessa maneira, exaltando determinadas virtudes. Felizes dos que se envergonharam. E mais ainda dos que entenderam o motivo da vergonha.

De certa forma, seria até natural ter esse tipo de atitude, já que vivemos num ambiente de competição, e isso seria uma “vantagem”, pelo menos para nosso ego.

Não somente valorizamos uma virtude, como fazemos o contrário.
Pessoas conhecidas podem apresentar a mesma característica de desconhecidos, mas tomamos lado negativamente se tratando do desconhecido, e “esquecemos” quando estamos com o conhecido.

Creio que muitas vezes o adversário seja rotulado dessa maneira justamente por ter ou não determinada virtude.
A partir do momento em que aprendemos que o ato de estudar é uma virtude excelente, aqueles que não estudam ou não tem aptidão para tal, tornar-se-ão nossos adversários*.

Talvez o problema real esteja em quem tem consciência disso e usa como uma ferramenta para conceituar uma pessoa. Pré-conceituar, de fato.

Quando o indivíduo tomar consciência de que, por mais repulsivo ato, o desconhecido não tem a mesma percepção de virtude, teremos uma sociedade mais flexível e pacífica.

* Me refiro à Adversário, como aquele sujeito cujo nosso Firewall adicionou na lista de suspeitos.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Mudança de opinião

Na revista Galileu de fevereiro de 2008, aparece uma pequena matéria sobre George Price(1922-1975).
Price era Dr. em química e ensinava o mesmo assunto.
O foco principal da matéria foi que Price era um Ateu convicto e virou cristão fervoroso. Após isso, fez obras sociais, ajudou pessoas etc.

Se a revista é laica, eu não sei, mas essa matéria está parecendo imparcial.
Um ateu pode virar religioso, é claro. Mas isso é muito difícil e raro.
O que pergunto é o seguinte: será que se ele fosse cristão desde o início de sua formação ele teria essa curiosidade pela ciência? Provavelmente não.

Não estou dizendo que Price está errado. Qualquer pessoa tem o direito de mudar de opinião, e isso é algo que o universo da religião não é acostumado.

Noto que quem toma a verdade pela sua religião, não se interessa em saber ciência. Isso não é regra, e qualquer pessoa pode gostar e fazer ciência independente da crença.
Mas é notável como no mundo da crença, há pouca ciência, e vice-versa.
É até lógico: se eu "sei" que o mundo tem 6008 anos, para que estudar a origem das coisas?

A religião simplifica tudo. É mais fácil acreditar em algo improvável, do que tentar formar teorias e tentar prová-las racionalmente.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Cotas racistas

Há alguns dias, lendo um jornal local, vejo uma matéria de título bastante interessante: "Negros sem concorrência em 19 cursos.Listagem de densidade para o concurso 2008 da UFRGS demonstra que os candidatos egressos de escolas públicas que se declararam negros não terão concorrência em 19 das 69 graduações"

Antes de tudo, quero esclarecer que falarei especificamente dos negros, mas os índios e pardos.

Em um país que é considerado uma das maiores nações racialmente miscigenadas e estampa uma igualdade racial( pelo menos de 4 em 4 anos), é uma atitude lamentável.Se eu fosse negro, me sentiria ofendido. Eu quero entrar numa universidade por mérito, e não porque eu sou privilegiado por cotas racistas.

Separar pessoas por cor da pele é discriminação.
E vejam bem, o racismo não é apenas contra os negros, mas também contra as outras raças. Qual a diferença entre um branco que estudou no mesmo colégio e turma que o negro? Nenhuma. Se o ensino básico e fundamental é insuficiente, não são os alunos que devem sofrer(mais ainda) com uma desvantagem no vestibular.

Imagino que os idealizadores dessa idéia pensaram em uma sociedade menos severa com os negros, o que é um pensamento correto, porém o fizeram de uma forma em que aumenta o contraste entre brancos e negros.

É fato que a maioria dos negros tem oportunidade e qualidade de educação inferior comparado à maioria dos brancos, mas não se forma uma sociedade culta e inteligente separando-a.
Se o problema é entrar na universidade pública, tendo os principais motivos no péssimo ensino fundamental e médio das escolas públicas, não é a universidade que deve mudar, mas sim o ensino público.

Eu imagino a seguinte ocasião. Aquele rapaz que estudou em cursinho, ganha de mais de 30 candidatos pela sua vaga, se encontrando com o negro que não teve um bom ensino e ganhou de 3 candidatos. É óbvio que os dois não terão a mesma carga cultural e intelectual. O que acontece na universidade? Ao invés de melhorar o nível, piora. É o que o governo faz, na maioria das vezes, para mostrar uma pseudoigualdade.

O argumento que quem tem dinheiro é privilegiado por conseguir estudar em escolas particulares é inválido, e só reforça a precariedade do ensino público.

Sem conhecimento, sem explicação

No trecho "A adoração das lacunas" no capítulo 4 do livro "Deus, um delírio" do Richard Dawkins, um novo ponto de vista me fez refletir sobre teorias que tentam explicar a origem da concepção da vida, especialmente o Design inteligente.

O Design inteligente é uma teoria que é baseada no conceito da Complexidade irredutível, ou seja, alguma coisa é tão complexa que não poderia ter sido evoluída, mas sim aparecido diretamente na forma complexa, e claro, o criador deve ser mais complexo ainda. É como se, ao invés de inventarmos uma carroça, fazermos uma ferrari.

Assim como o design inteligente, outros grupos religiosos se posicionam da seguinte maneira:
Podem te perguntar como e porque funciona determinado organismo, e se não houver resposta que seja compreendida por tal pessoa, ele logo afirmará "viu só, isso só pode ter sido criado por um ser mais complexo ainda que o organismo!".A falta de explicação em uma teoria não valida necessariamente as outras opções.

Penso que essa é uma das principais diferenças entre o pensamento científico e criacionista.O criacionista acha a resposta para sua ignorância em algo que não existe, ou que pelo menos não se possa (facilmente) provar, pois ele não precisará pensar e estudar para chegar em uma conclusão real.

É como no exemplo do último post: nossos antepassados acreditavam que o raio era uma manifestação da ira de deus, porém, hoje temos teorias bem mais plausíveis para o fato.

A ciência faz da ignorância o combustível para o conhecimento, que está em constante evolução.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Explicação divina

Cada dia que passa, comprovo o que os estudos mostram: ignorância é íntimamente atrelada com crendices. Talvez seja por isso que quando nossos antepassados diziam que raios, trovões, terremotos, vulcões eram obra de algum ente sobrenatural, pois não conheciam o que causava tais eventos.
Interessante é que, de acordo com a ciência vai descobrindo os mistérios, as pessoas simplesmente ignoram (ou não) as velhas crendices.
Ainda hoje escuto coisas absurdas sobre fenômenos e eventos naturais, químicos e físicos que são atribuídos ao sobrenatural.


Padres exorcizando demônios em pessoas epilépticas por causa de uma convulsão, caça as bruxas, raios que representavam a ira de deus (será que onde há para-raio, deus não fica irado?), entre muitos outros que a história registra.
Se a religião não estivesse amarrado a ciência por um longo tempo, talvez hoje estaríamos mais avançados.

domingo, 6 de janeiro de 2008

O "paraíso" do ateísmo

As vezes sou questionado, ironicamente, por pessoas religiosas: “se os ateus não acreditam em nada, qual o sentido de viver na terra?”, obviamente referindo-se ao paraíso(digo isso pois me refiro aos cristãos).
Primeiramente, um ateu tem crença sim. O ateu acredita que os fatos dão sentido à vida, não sendo necessário apelar para uma recompensa (religiosamente perfeita) imaginária.
Enquanto o religioso acredita que vá viver na terra, e ter sua recompensa após a morte, os ateus realmente vivem na terra e não tem tempo para perder com crendices que te excluem de vivenciar as maravilhas do mundo.

Provavelmente algumas pessoas afirmarão que a religião também te exclui das desgraças do mundo. Isso sim, é absurdo. As “coisas ruins” existem, e devem ser entendidas como qualquer outro evento, porém a religião apenas tenta focar os olhos e mentes dos fiéis para o divino.
Vou fazer uma analogia que pode, inicialmente, parecer até engraçada:
Imaginem que os espermatozóides estejam rezando fervorosamente para conquistar o paraíso. Apenas os escolhidos fecundarão o óvulo e formarão um novo ser humano. O restante arderá no mármore do inferno (ou em qualquer outro lugar que a imaginação de vocês pode alcançar).
Esse exemplo pode, dependendo do ponto de vista, fazer parte do ateísmo, e coloquei-o apenas para mostrar o que, ao meu ver, a vida real é o que realmente importa.
Onde a ciência e o conhecimento avançam, a religião recua.