domingo, 13 de janeiro de 2008

Cotas racistas

Há alguns dias, lendo um jornal local, vejo uma matéria de título bastante interessante: "Negros sem concorrência em 19 cursos.Listagem de densidade para o concurso 2008 da UFRGS demonstra que os candidatos egressos de escolas públicas que se declararam negros não terão concorrência em 19 das 69 graduações"

Antes de tudo, quero esclarecer que falarei especificamente dos negros, mas os índios e pardos.

Em um país que é considerado uma das maiores nações racialmente miscigenadas e estampa uma igualdade racial( pelo menos de 4 em 4 anos), é uma atitude lamentável.Se eu fosse negro, me sentiria ofendido. Eu quero entrar numa universidade por mérito, e não porque eu sou privilegiado por cotas racistas.

Separar pessoas por cor da pele é discriminação.
E vejam bem, o racismo não é apenas contra os negros, mas também contra as outras raças. Qual a diferença entre um branco que estudou no mesmo colégio e turma que o negro? Nenhuma. Se o ensino básico e fundamental é insuficiente, não são os alunos que devem sofrer(mais ainda) com uma desvantagem no vestibular.

Imagino que os idealizadores dessa idéia pensaram em uma sociedade menos severa com os negros, o que é um pensamento correto, porém o fizeram de uma forma em que aumenta o contraste entre brancos e negros.

É fato que a maioria dos negros tem oportunidade e qualidade de educação inferior comparado à maioria dos brancos, mas não se forma uma sociedade culta e inteligente separando-a.
Se o problema é entrar na universidade pública, tendo os principais motivos no péssimo ensino fundamental e médio das escolas públicas, não é a universidade que deve mudar, mas sim o ensino público.

Eu imagino a seguinte ocasião. Aquele rapaz que estudou em cursinho, ganha de mais de 30 candidatos pela sua vaga, se encontrando com o negro que não teve um bom ensino e ganhou de 3 candidatos. É óbvio que os dois não terão a mesma carga cultural e intelectual. O que acontece na universidade? Ao invés de melhorar o nível, piora. É o que o governo faz, na maioria das vezes, para mostrar uma pseudoigualdade.

O argumento que quem tem dinheiro é privilegiado por conseguir estudar em escolas particulares é inválido, e só reforça a precariedade do ensino público.

Um comentário:

Sérgio disse...

Eu poderia listar um enorme número de razões contra as cotas raciais mas vou me ater ao básico: Prejudicar alguém baseando-se na sua cor de pele é racismo, apenas isso, simples e incontestável. Se um "branco" (vc conhece alguém "branco"?) perde sua vaga na faculdade apesar de ter melhor desempenho para que um aluno "preto" (de novo as cores...) possa entrar, houve RACISMO e ponto final. Nazistas querem criar um país dividido e estão conseguindo, o interessante é que muitos desses nazistas são, digamos, escurinhos....